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Septicemia neonatal: Principal causa da mortalidade em potro

 

septicemia neonatalSepticemia neonatal é o resultado de uma infecção generalizada, causada por bactérias. Há estudos que apontam que cerca de 33% das mortes de potros nesta fase é por conta desta doença.

O nascimento do potro até os 60 dias de vida é, sem dúvida, uma das fases mais importantes do animal. Neste período é preciso que os cuidados sejam redobrados, já que a estrutura orgânica do animal se encontra muito sensível, com o sistema imunológico ainda frágil e em formação.

Por isso, é bastante comum encontrar animais com Septicemia Neonatal e tem sido considerada uma das doenças neonatais mais preocupantes entre os médicos veterinários Essa enfermidade é responsável por uma grande parte da taxa de mortalidade de potros, apesar dos avanços na conduta terapêutica. Continue lendo esse artigo e entenda mais sobre esse assunto!

Fatores que influenciam a septicemia neonatal 

A septicemia neonatal equina tem como fatores ocorrências pré-natais e pós-natais. Dentro dos fatores pré-natais estão a dificuldade no parto (distocia), placentite e deslocamento precoce da placenta, e doenças relacionadas aos sinais de cólica. Contudo, geralmente as causas de origem materna são ligadas à placentite ascendente aguda ou crônica. 

Os fatores pós-natais são associados aos caminhos de infecção, com exceção da falha da transferência de imunidade passiva de imunoglobulinas, considerada como a falha de passagem de anticorpos colostrais da égua para o potro ou uma errada absorção das imunoglobulinas pelo neonato.

Outros caminhos associados à septicemia incluem o meio uterino e o meio após o nascimento. Dentro do útero o feto é sujeito à patógenos que passam pela barreira corioplacentária e chegam à corrente sanguínea fetal, no qual penetram no trato respiratório e intestinal. Entretanto, após o animal nascer, os principais meios de contaminação são o cordão umbilical, a ingestão e a inalação. 

Outros fatores ligados a ocorrência dessa enfermidade podem envolver:

  • Situações sanitárias precárias; 

  • Nascimento prematuro;

  • Condição de saúde da égua; 

  • Dificuldade no momento do parto; 

  • Ambiente contaminado com patógenos para os quais a égua não tem anticorpos contra. 

No entanto, a maior razão de risco para a vida do potro é a falha em receber anticorpos colostrais em qualidade e quantidade suficiente. 

Sinais clínicos 

Os sinais clínicos da septicemia neonatal equina depende da duração da doença, da integridade do sistema imune do hospedeiro, dos órgãos envolvidos e da gravidade da infecção. De modo geral, os órgãos afetados são o umbigo, o sistema nervoso central, os respiratório, cardiovascular, muscular e ósseo, renal, oftálmico, hepatobiliar e gastrointestinais. 

Nas primeiras etapas da enfermidade os sinais clínicos não são característicos porém, os neonatos mostram-se apáticos ou letárgicos. Sucessivamente, o animal pode ter perda total do reflexo de sucção, membranas mucosas hiperêmicas, rápido tempo de enchimento capilar devido à vasodilatação periférica. Também pode haver taquicardia e início de petéquias relacionadas com a permeabilidade capilar.

A etapa mais avançada do problema resulta no choque séptico, quando o sistema imune do hospedeiro torna-se fraco pela infecção. Onde os potros apresentam-se intensamente hipotérmicos, com taquicardia ou bradicardia. Por meio das vias sanguíneas, as bactérias espalham-se para vários órgãos expressando dispnéia, pneumonia, diarréia, uveíte, meningite, osteomielite ou artrite séptica. Quando o sistema imune do potro não é suficiente para conter a infecção, a septicemia avança e outros locais podem tornar-se infectados. 

Métodos de diagnóstico

Geralmente, a suspeita de septicemia neonatal equina é dividida em histórico, exame físico e exames laboratoriais. O histórico refere-se aos elementos envolvidos antes do parto, como por exemplo, a lactação prematura, aumento de descarga vaginal e sinais precoces do parto. Relaciona-se também a fatores durante o parto como exemplo, a duração do trabalho de parto, a aparência anormal da placenta ou o líquido amniótico ou alantoideano.

Podemos também citar os elementos associados ao pós-parto como por exemplo, o tempo que o neonato leva para se levantar e mamar e o nível de atividade com o passar do tempo, sendo esses últimos fatores, os maiores indicadores da possível incidência de septicemia. 

O exame físico pode ser suspeita da doença diante de sinais como mudança súbita na perfusão sanguínea, aumento umbilical, edema das articulações e pequenos ponto vermelho nas membranas mucosas. Porém, esses critérios não são próprios na indicação da enfermidade.

O diagnóstico definitivo da septicemia é a cultura sanguínea. No entanto, para dar início ao tratamento em um estágio inicial da enfermidade é necessário um procedimento mais rápido e dinâmico de diagnóstico. O diagnóstico depende acima de tudo da suspeita clínica associada a sinais relacionados à septicemia e da confirmação da infecção bacteriana. 

A identificação precoce da doença, assim como o tratamento são essenciais na sobrevivência do neonato, visto que quanto mais estabelecidos os sinais clínicos, maior o desafio terapêutico. 

Estratégias de tratamento da enfermidade

Nos últimos anos, algumas tratamentos chegaram com o objetivo de conter os sinais clínicos da septicemia desde o controle da resposta inflamatória simultânea à eliminação dos patógenos e da prevenção do desenvolvimento de outras infecções. 

O manejo do tratamento terapêutico da septicemia neonatal, inclui quatro principais maneiras, que são o controle da infecção, o suporte hemodinâmico, as intervenções imunomoduladoras, o suporte respiratório e nutricional.

A septicemia neonatal equina é motivo de grande preocupação na criação de cavalos devido ao estado de mortalidade que os potros apresentam. Portanto, o diagnóstico e intervenção antecipada são fundamentais na tentativa de melhorar as funções do organismo do animal. 

A fazenda deve dispor de banco de colostro, além de profissionais preparados para ajudar o potro logo após o nascimento. Assim, garantindo que ele beba a quantidade essencial de colostro nas primeiras horas de vida. 

O médico veterinário deve estar atento aos sinais clínicos que o animal apresentar. Somente com o histórico correto será diagnosticada a doença e feito o tratamento correto.

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