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Desgaste dentário em cavalos: por que identificar alterações?

Desgaste dentário em cavalos por que identificar alteraçõesO desgaste dentário em cavalos é uma ocorrência necessária para a saúde desses animais. Como os dentes dos equinos nunca param de crescer, esse desgaste natural decorrente da alimentação, auxilia o animal a manter sua saúde bucal, o que, para os equinos, é essencial para a saúde do animal como um todo. 

Isso se dá porque, em geral, dentes saudáveis possibilitam que o alimento seja triturado e assim todos os nutrientes aproveitados durante o processo de digestão. Por isso, quando o desgaste não acontece, ou quando acontece de maneira incorreta, o processo digestivo fica comprometido. Nessa situação, cavalos e éguas podem desenvolver problemas que vão além da dentição, como as tão temidas cólicas.

Como as alterações relativas ao desgaste dentário em cavalos costumam ser causas comuns de questões odontológicas nesses animais, neste artigo vamos tratar dessas alterações e como identificá-las. Confira!

Qual a importância de reconhecer alterações no desgaste dentário em cavalos?

Assim como todos os animais, os cavalos foram domesticados. E essa domesticação trouxe, entre outras coisas, mudanças significativas na dieta desses animais. Compreender isso é importante para quem deseja entender a importância de reconhecer as alterações no desgaste dentário em cavalos. 

Isso porque, os dentes dos equinos, com sua dieta mais diversificada no ambiente selvagem, sofrem um desgaste natural, graças, em parte, à diversidade de alimentos ingerida pelo animal. Com a domesticação, esse alimento ficou, de certa forma, mais padronizado o que, ao longo do tempo, começou a alterar a maneira como esse desgaste dos dentes acontece. Além disso, o tempo de mastigação do animal foi reduzido, o que reduz o desgaste natural da arcada dentária dos cavalos, podendo gerar complicações.

Diante disso, é importante para quem trata da rotina e do manejo desses animais saber reconhecer quando há qualquer alteração na arcada do animal. Isso porque, além de alterações que podem comprometer a embocadura, elas podem ser o início de problemas dentários mais sérios e até mesmo complicações digestivas, como a tão temida cólica equina.

Assim, identificar comportamentos do animal como falta de apetite, queda de desempenho, rejeição à embocadura, entre outros, são formas de proprietários e tratadores prevenirem problemas de saúde mais graves nos cavalos. Além disso, é importante que o médico veterinário de equinos eduque os responsáveis a solicitarem o exame odontológico juntamente com as rotinas médicas dos animais, principalmente os de desempenho. Dessa forma, a saúde dos cavalos fica mais assegurada e mudanças na dieta e no manejo podem ser feitas antes de virarem um grande prejuízo.

Comportamentos que podem comprometer o desgaste dentário em cavalos

Quando pensamos nos problemas enfrentados com os dentes dos cavalos, primeiramente é importante destacar que, apesar de toda a arcada dentária requerer atenção e observação, os desgastes de cada conjunto de dentes é diferente. Isso já se dá na distinção entre machos e fêmeas, uma vez que os machos possuem caninos, com um total de quarenta dentes, enquanto as fêmeas não possuem, somando trinta e seis dentes. 

Assim, uma maneira de prevenir alterações no desgaste dentário em cavalos e éguas, é observar comportamentos que causam anomalias desse processo em dentes como os incisivos. Como estes estão presentes em machos e fêmeas, reconhecer esses comportamentos auxilia na prevenção de problemas na criação. A seguir listamos os principais:

  • Roer madeira: esse comportamento é muitas vezes causado por deficiência de minerais ou estresse por falta de atividade física na rotina no animal;

  • Morder cocho: esse comportamento pode, além de causar desgaste dentário irregular, causar cólica pela ingestão de ar, além de ser sinalizador de outros problemas de saúde e perda de peso;

  • Aerofagia sem apoio: caracterizado pelo movimento do equino, move os lábios, fecha a boca, dobra e arqueia o pescoço e faz movimentos repetitivos para cima e para baixo com a cabeça. Esse comportamento tende a ocorrer quando o animal foi impedido de morder o cocho, e pode causar cólica além de desgaste excessivo dos dentes;

  • Agressividade: esse comportamento tende a ocorrer quando novos cavalos são introduzidos, no momento da alimentação, no manejo realizado por 'estranhos’ ou quando há escoiceamento de cavalos em baias vizinhas. Além das questões dentárias, a agressividade pode trazer problemas bem mais sérios, como abortos.

Principais tipos de alterações adquiridas no desgaste dentário em cavalos

Ainda falando das alterações que podem ocorrer no desgaste dentário, de modo geral, podemos afirmar que causam complicações na mastigação e digestão dos equinos. E que, por consequência, levam à perda de desempenho atlético, lesões nas demais estruturas da boca e, obviamente, à lesões nos dentes.

Vale, também, enfatizar que algum desgaste dentário é necessário para a saúde do animal. Quando este é harmonioso e ocorre de forma natural, sem excessos ou pouca quantidade, os dentes se desenvolvem de forma normal e o animal não tem alterações. Contudo, alterações surgem em decorrência do desgaste excessivo ou, como ressaltamos anteriormente, da falta, ou redução significativa, do desgaste que ocorreria naturalmente. 

Diante disso, conhecer quais as principais alterações e como estas ocorrem, é fundamental para os profissionais que trabalham com cavalos. Seja para auxílio de um diagnóstico precoce, repassando informações precisas ao veterinário responsável, seja na prevenção durante o manejo. A seguir, listamos as principais alterações dentárias percebidas em cavalos:

  • Pontas excessivas de esmalte dentário (PEED): ocorre quando há uma relação anormal entre os dentes inferiores e superiores dos cavalos e seu excesso pode lesionar bochechas, língua, e causar dificuldade de mastigação e desconforto;

  • Rampas: ocasionadas pelo desgaste incorreto das regiões das projeções terminais dentárias, aparecendo com mais frequência no segundo pré-molar (superior e inferior) e últimos molares. Seu diagnóstico é difícil, e muitas vezes exige exames radiográficos da região;

  • Ganchos: quando não há identificação ou tratamento dos casos de PEED, alguns animais tendem a alterar sua mastigação, levando ao processo chamado de verticalização. Esse processo altera ainda mais o desgaste dos dentes e favorece o surgimento dos ganchos. É preciso atenção nesses casos já que, em ocorrências mais graves, o animal pode sofrer desvio do eixo da cabeça e adquirir problemas na articulação têmporo-mandibular, o que ocasiona dores na região cervical;

  • Ondas: essa alteração é definida por uma projeção dentária, tanto inferior-superior quanto superior-inferior, que, quando observada de perfil, se assemelha a uma onda. Impossibilitando, em ambos os casos, processos de mastigação e a movimentação para deslizamento dos molares. Essa anomalia possui diversas causas relacionáveis como: cáries infundibulares e desgaste infundibular prematuro;

  • Diastema: os espaços interdentários entre dentes adjacentes, ou diastemas, podem ser patológicos problemáticos, ou não, tudo dependendo de sua formação e classificação. São comuns em animais de idade avançada e aumentam a predisposição à gengivite, por favorecerem o acúmulo de resíduo entre os dentes. Para o diagnóstico são indicadas as radiografias de várias projeções para melhor precisão;

  • Fraturas dentárias: os equinos, em geral, apresentam frequentemente fraturas dentárias. Estas podem ocorrer por questões de desenvolvimento, atritos de mastigação e alimentos e até mesmo traumas externos;

  • Desordens de erupção: esse problema ocorre quando dentes que deveriam cair, se tornam persistentes, seguindo presos na arcada, mesmo depois de soltos da gengiva, comprometendo o nascimento dos dentes permanentes. Dores, fístulas, lacerações da gengiva, atraso da erupção dos dentes permanentes e surgimento de cistos, são complicações gerais das desordens de erupção.

Problemas nos dentes do cavalo? Chame o veterinário!

Pode parecer mais do mesmo, mas a principal ação que tratadores e criadores podem fazer após perceber qualquer comportamento ou anomalia bucal nos cavalos e éguas é chamar o veterinário responsável. Somente ele estará capacitado para realizar o diagnóstico preciso, solicitar os exames necessários e indicar o melhor tratamento. 

Cabe aos demais envolvidos a ação de observação, são aliados ao tratamento do animal todos os envolvidos em sua rotina. São essas pessoas que irão repassar aos veterinários as alterações percebidas, os comportamentos anormais e quaisquer outros sinais que o animal venha a apresentar. 

Sou veterinário, mas não tenho experiência com odontologia equina, o que fazer?

Se você é médico veterinário e trabalha, ou quer trabalhar com cavalos, é fundamental ampliar sua experiência e conhecimentos em odontologia equina. Como vimos, o trato da saúde bucal desses animais está ligado à manutenção de sua saúde como um todo, uma vez que tais problemas levam a complicações mais sérias.

Um veterinário que, de prontidão, sabe como diagnosticar esses problemas e reconhecer seus sinais de forma precoce, tem mais chances no mercado. Esse conhecimento garante, muitas vezes, a confiança dos criadores e proprietários, já que o diagnóstico precoce facilita o tratamento e reduz os custos.

Para ajudar aqueles que ainda não buscaram se aprofundar na odontologia equina, temos uma dica especial. O CPT Cursos Presenciais apresenta o Curso Presencial de Odontologia Equina, onde você, veterinário, vai aprender fazendo os principais procedimentos de exame, tratamento e diagnóstico dos problemas dentários de cavalos. Clique aqui e saiba mais!

Fontes: VIEIRA, A. (UFV), CPT Cursos Presenciais, FARIA, C. (UFG)

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