Sinais vitais de equinos: quais são e como monitorar?

No trabalho com cavalos, conhecer as condições fisiológicas dos animais é fundamental para entender o que esperar do desempenho durante as funções. Assim, os sinais vitais de equinos são os fatores de acompanhamento que evidenciam aos tratadores e veterinários as reais condições do animal. Por isso, entender quais são, como fazer a medição e entender os resultados é essencial para quem trabalha no segmento.

Essa importância se dá, principalmente, porque tais sinais são parâmetros importantes de análise em diversas situações. Isso porque, fazer o monitoramento dos sinais vitais de forma correta é importante desde o acompanhamento de animais atletas, até situações emergenciais. São eles que vão fornecer uma análise de desempenho durante o treinamento, o mostrar qual o quadro do animal em casos de urgência.

Neste artigo, vamos apresentar quais são os sinais vitais de equinos e como monitorá-los. Quer aprender? É só continuar sua leitura!

Quais são os sinais vitais de equinos?

Como o nome sugere, os sinais vitais de equinos, são aqueles fatores que indicam a existência de vida do animal. Por isso, são tão básicos para se conhecer as condições físicas e de saúde de cavalos, éguas e potros. A seguir, listamos os principais sinais e como é feita sua medição, bem como quais os valores de referência. Confira:

Frequência cardíaca (pulso)

A frequência cardíaca é, dos sinais vitais de equinos, talvez o mais importante. Isso porque, todo o sistema cardiovascular é responsável pela oxigenação das células e transporte de nutrientes do organismo. Com isso em mente, fica mais fácil entender o peso da frequência cardíaca como sinalizador das condições do animal.

Além de seu monitoramento ser importante em situações emergenciais e cirúrgicas, por exemplo, a frequência cardíaca é usada como sinalizador das condições fetais e fisiológicas do animal. Sendo o sistema cardiovascular, diretamente responsável pela qualidade do desempenho em atividades de esforço físico, como trabalho e prática de esportes. Além disso, esse sistema nos equinos é desenvolvido para um transporte massivo de oxigênio, já que seu baço é configurado especialmente preparado para lançar mais glóbulos vermelhos na corrente do animal em situações de estresse, principalmente medo, e prática de exercícios físicos.

Diante dessas informações, pode parecer que fazer o monitoramento da frequência cardíaca dos cavalos é algo muito complicado, mas não. Apesar de muito sério e exigir concentração, o procedimento não necessariamente exige equipamento especializado. De modo geral, tratadores e responsáveis podem fazer o monitoramento. O procedimento é, de forma simples, o seguinte:

  • Localizar um grande vaso sanguíneo que esteja próximo à pele do animal. Por exemplo, a artéria mandibular; 
  • Usar, preferencialmente, os dedos indicador e médio para fazer a medição. O polegar não deve ser utilizado já que o medidor pode acabar sentindo a própria pulsação.

No caso da artéria mandibular, o procedimento é colocar os dedos no sulco entre as bochechas, na parte inferior do queixo do animal. O medidor deve levar seus dedos de modo a sentir o interior das bochechas do animal e, com cuidado, sentir uma estrutura tipo ‘corda de borracha’. Dai, deve ser feita uma leve pressão até que o pulso seja percebido. Para determinar a frequência cardíaca, o cálculo é o seguinte:

  • Com o pulso determinado, deve-se contar as batidas por 15 segundos e multiplicar o valor obtido por 4.

Para entender a frequência cardíaca, leve em conta os seguintes parâmetros:

  • Frequência cardíaca normal em equinos: o valor normal da frequência cardíaca normal para um animal adulto tem a faixa média de 28 a 44 bpm (batimentos por minuto). Para animais jovens, o pulso em repouso está na faixa entre 70 e 120 bpm.

Taxa de respiração ou frequência respiratória

Juntamente com a frequência cardíaca, a taxa respiratória está, sem dúvidas, no topo dos sinais vitais de equinos. Essa taxa indica a troca gasosa do organismo, que é um indicativo da principal função do sistema respiratório. De maneira simples, a frequência respiratória mostra o número de movimentos respiratórios por minuto.

Ou seja, juntamente com o sistema cardíaco, o sistema respiratório é responsável pela oxigenação do organismo do animal, sendo um sinal vital importante para diversas indicações das condições fisiológicas. Da mesma maneira, reconhecer a frequência respiratória é importante por esta sinalizar questões de saúde, tanto em situações de emergência como na rotina de trabalho e treinamento do animal.  

Para realizar a medição da taxa de respiração, o responsável pode seguir alguns passos:

  • Observar os movimentos que aparecem nas narinas, tórax, abdômen e flanco, ou;
  • Observar a auscultação dos brônquios ou base da traquéia com auxílio de um estetoscópio.

Após a observação da respiração do animal, o cálculo é feito com o número de respirações em 15 segundos, multiplicado por 4, resultando nas respirações por minuto. Com essa informação, a avaliação deve levar em conta os seguintes valores de referência:

  • Frequência respiratória normal em equinos: para o animal adulto o valor normal (em repouso) é de 12 a 20 respirações por minuto, já em animais jovens esse intervalo é de 20 a 40. 

Temperatura corporal

O sistema termorregulatório do animal é responsável pelo controle da temperatura do organismo. Sua importância está em garantir que o indivíduo, seja ele cavalo, égua ou potro, mantenha uma temperatura interna dentro do ideal para o bom funcionamento dos demais sistemas. Assim, como parte dos sinais vitais de equinos, a temperatura indica se a troca de calor entre animal e ambiente está saudável e se, dentro das condições em que se apresenta, a temperatura interna do animal está dentro do ideal para o bom funcionamento do organismo.

Um animal que sofre com grande variações de sua temperatura corporal, pode ter seus órgãos e sistemas com funções comprometidas. Tendo, inclusive, impacto na capacidade reprodutiva dos mesmos. Além disso, um animal com problemas para manter o equilíbrio térmico em seu sistema, tem grandes chances de apresentar problemas em funções que exigem alto vigor físico, como trabalhos pesados e treinamentos intensos.

Ainda, a variação da temperatura corporal do animal pode indicar sintomas como febre e hipotermia, que podem ser indicativos da presença de doenças. É importante ressaltar que, diante de variações climáticas, a temperatura corporal do animal pode variar. Porém, mesmo nessas situações, a temperatura corporal do animal deve se auto regular para um valor ideal, o que não quer dizer que ferramentas de conforto térmico nas instalações não sejam importantes nesses momentos.

Diante dessas informações, acompanhar a temperatura corporal do animal, principalmente quando há suspeita de algum problema, é uma forma simples de ter indicações para o seu estado de saúde. Seja em suspeita de doenças ou situações emergenciais, monitorar a temperatura oferece ao proprietário indicativos sobre o estado de seu equino e um direcionamento sobre quais ações tomar até a chegada do veterinário, por exemplo.

Para fazer a medição da temperatura o procedimento é realizado com auxílio de um termômetro, podendo este ser de mercúrio ou digital, via retal. Os valores de referência são:

  • Temperatura corporal normal de equinos: para animais adultos, a faixa de temperatura normal em repouso é de 37ºC e 38ºC, já para animais jovens a faixa ideal em repouso é de 37ºC a 39ºC. 

Membranas, mucosas e tempo de preenchimento capilar

Como sinais vitais de equinos, as membranas mucosas e o TPC, tempo de preenchimento capilar, podem indicar problemas de saúde no animal. Seja com alteração de cor, textura e umidade, esses fatores apresentam ao responsável informações sobre a pressão arterial e nível de hidratação do animal. 

Quem trabalha com cavalos sabe que a hidratação é fundamental para a saúde desses animais. Os equinos, principalmente éguas em lactação, consomem um grande volume de água e a desidratação compromete diversas funções do organismo desses animais. Assim, monitorar esses indicadores permite que os responsáveis identifiquem situações de desidratação, seja como confirmação ou identificação de sintomas.

Além disso, monitorar a pressão arterial do animal, principalmente em situações de emergência, garante que a gravidade do quadro seja melhor avaliada. Dessa forma, é possível agir de forma mais assertiva para garantir que o animal saia com vida de situações de urgência.

Para fazer a avaliação das mucosas, membranas e TPC o responsável deve:

  1. Avaliar a cor e a umidade das gengivas levantando, com cuidado, o lábio superior do animal de modo a observar as gengivas claramente e, em seguida, tocá-las suavemente com o dedo para percepção da umidade na região;
  2. O TPC, ou tempo de preenchimento capilar, deve ser medido pressionando as gengivas com o dedo durante alguns segundos e afastando o dedo em seguida. O local pressionado deve empalidecer e deve-se então medir o intervalo de tempo que este leva para retornar à sua coloração natural.

 Para avaliar essas informações os estados de referência são:

  • Mucosas e membranas normais para um equino adulto: essas estruturas são comumente rosadas, ou róseas, e úmidas. O mesmo vale para potros;
  • TPC normal para equinos adultos: o intervalo de tempo normal para o TPC em animais adultos é de 2 segundos ou menos. Novamente, o mesmo vale para potros.

Sons gastrointestinais

Os sons gastrointestinais, como parte dos sinais vitais de equinos, demonstram o bom funcionamento do sistema digestivo dos cavalos. A escuta desses sons pode ser feita com ou sem a ajuda de um estetoscópio e, em determinadas situações, não depende da avaliação de um médico veterinário. Para fazer o acompanhamento da saúde do animal ou verificação em casos de suspeita de cólica, por exemplo, o responsável pode buscar identificar os sons e, assim, acionar o veterinário se necessário.

De modo simplificado, para avaliar os sons gastrointestinais com a ajuda do estetoscópio, o responsável deve:

  1. Posicionar o estetoscópio na parte superior esquerda do abdômen do equino, seguindo o nível do quadril, pouco atrás das costelas. Manter o equipamento fixo e ouvir por 15 segundos;
  2. Em seguida posicionar o estetoscópio na parte inferior esquerda do abdômen do animal, movendo-o em linha reta em relação à posição anterior, até à curva da barriga. Manter o equipamento fixo e ouvir por 15 segundos;
  3. Repetir a medição de parte superior e inferior, agora na porção direita do abdômen do animal, sempre mantendo o equipamento fixo por 15 segundos em sua posição.

Com essas informações, a avaliação pode ser feita considerando o seguinte quadro de referência: 

  • Sons gastrointestinais normais para um equino: o padrão para esse animais é uma diversidade de sons que indicam atividade presente e constante no sistema digestivo, principalmente no intestino. Variando de murmúrios à rangidos e cliques, o importante é que seja verificada a presença de sons de forma significativa. Sons reduzidos ou ausentes são indicativos de problemas no animal.

Por que avaliar os sinais vitais de equinos?

Como o próprio nome sugere, os sinais vitais de equinos são indicativos importantes sobre a vida desses animais. Assim, a avaliação desses parâmetros, como sugerimos ao longo do artigo, é importante para diversas situações envolvendo esses animais. Sendo os principais:

  • Exame da condição física do equino;
  • Avaliação e detecção de sintomas e sinais de doenças e enfermidades de forma precoce;
  • Monitoramento das condições físicas e condicionamento ao longo de treinamentos;
  • Avaliação dos efeitos de exercícios realizados;
  • Elaboração de estratégias de treino para animais atletas;
  • Auxílio nas práticas para aumentar a longevidade do desempenho do animal competidor.

Vale sempre ressaltar que, mesmo com a vivência prática dos tratadores, técnicos e responsáveis, a consulta com o médico veterinário e o acompanhamento de rotina são sempre aconselhados. Além disso, quando se trata de monitorar os sinais vitais de equinos em situações emergenciais, o papel desses profissionais é essencial para manter o animal em segurança até que o atendimento veterinário possa ser realizado. Assim, não se deve subestimar a necessidade de capacitação e treinamento prático envolvendo esse tipo de acompanhamento.

O profissional que trabalha com cavalos, sejam tratadores, trabalhadores rurais ou proprietários, só tem a ganhar quando adquirem experiência para monitorar tais sinais vitais. Isso garante maior segurança durante os mais diversos processos, mais entendimento do animal e suas necessidade e, portanto, melhoria da qualidade de vida deles, mesmo em situações de acidentes. Além, é claro, de auxiliar na manutenção do bom desempenho e rendimento nas atividades de rotina.

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Fontes: CPT Cursos Presenciais, Winner Horse e PRATES (UFMG)